Quais são os direitos na demissão?
Os direitos dependem do tipo de desligamento. A demissão sem justa causa é a que dá direito a mais verbas; a justa causa, a que dá direito a menos.
A tabela compara as quatro formas mais comuns de encerrar o contrato. Em todas, o pagamento deve ser feito em até 10 dias após o fim do contrato. Para entender cada verba da dispensa sem justa causa, veja o artigo direitos na demissão sem justa causa.
| Item | Sem justa causa | Pedido de demissão | Acordo (art. 484-A) | Justa causa |
|---|---|---|---|---|
| Saldo de salário e férias vencidas | Sim. | Sim. | Sim. | Sim. |
| Férias e 13º proporcionais | Sim. | Sim. | Sim. | Não. |
| Aviso prévio indenizado | Sim. | Não; o trabalhador deve cumprir ou pode ter desconto. | Metade. | Não. |
| Multa do FGTS | 40%. | Não. | 20%. | Não. |
| Saque do FGTS | Sim. | Não. | Até 80% do saldo. | Não. |
| Seguro-desemprego | Sim, se cumprir os requisitos. | Não. | Não. | Não. |
Qual o prazo para entrar com ação trabalhista?
O prazo é de 2 anos a partir do fim do contrato, e a ação alcança os direitos dos 5 anos anteriores ao ajuizamento. As duas regras estão na Constituição.
Na prática, quem espera perde direitos: cada mês de atraso depois da saída faz um mês antigo deixar de poder ser cobrado. A mesma regra de 5 anos vale, em regra, para cobrar depósitos de FGTS não feitos. Enquanto o contrato está em vigor, também é possível ajuizar a ação, respeitado o limite de 5 anos.
Para o empregador, os mesmos prazos indicam por quanto tempo vale guardar recibos, folhas de ponto, comprovantes de depósito e termos de rescisão. Esses documentos são a base da defesa se uma cobrança surgir depois.
Como funcionam as horas extras?
Hora extra é a que passa da jornada contratada, que em regra tem limite de 8 horas por dia e 44 horas por semana. Ela deve ser paga com adicional de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal.
- as horas extras habituais refletem em férias, 13º, descanso semanal remunerado e FGTS;
- o banco de horas permite compensar as horas a mais com folgas, desde que siga as regras da lei ou do acordo coletivo;
- empresas com mais de 20 empregados devem controlar o horário de entrada e saída;
- o trabalho noturno urbano (entre 22h e 5h) tem adicional próprio.
Para o trabalhador, anotações pessoais, mensagens e testemunhas podem ajudar a provar a jornada. Para o empregador, registros de ponto corretos são a principal proteção.
Cargos de gestão com poderes reais de mando e o trabalho externo sem possibilidade de controle de horário seguem regras diferentes, previstas na CLT. A análise depende da rotina real, e não apenas do nome do cargo.
Como saber se o FGTS foi depositado?
O extrato pode ser consultado no aplicativo oficial do FGTS, da Caixa. O empregador deve depositar, todo mês, 8% da remuneração do empregado.
Depósitos em atraso ou faltando podem ser cobrados da empresa, inclusive na Justiça do Trabalho. O saque é permitido em situações previstas em lei, como a demissão sem justa causa, a aposentadoria, a compra da casa própria e algumas doenças graves.
Atenção: quem aderiu ao saque-aniversário e é demitido recebe a multa de 40%, mas, em regra, não pode sacar o saldo da conta naquele momento.
Trabalhei sem carteira assinada. Tenho direitos?
Sim. Se o trabalho era feito com pessoalidade, regularidade, subordinação e pagamento, existe vínculo de emprego, mesmo sem registro, e a Justiça pode reconhecê-lo.
Com o reconhecimento do vínculo, o trabalhador pode cobrar as verbas do período, como férias, 13º e FGTS, e o tempo passa a contar para o INSS e para a aposentadoria. O empregador tem 5 dias úteis, a partir da admissão, para fazer a anotação na carteira de trabalho digital.
Muitas vezes, a prova do vínculo vem de mensagens, comprovantes de pagamento por transferência, fotos e testemunhas que conviveram no local de trabalho. Os mesmos direitos valem para o trabalhador rural empregado, que tem lei própria e direitos equiparados aos do trabalhador urbano pela Constituição.
Sofri acidente de trabalho. Quais são os direitos?
O acidentado tem direito ao benefício do INSS durante o afastamento e, ao voltar, a estabilidade no emprego por 12 meses após o fim do auxílio acidentário.
- a empresa deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho); se não emitir, o próprio trabalhador, o sindicato ou o médico podem fazê-lo;
- doenças causadas pelo trabalho, como lesões por esforço repetitivo, são equiparadas ao acidente;
- durante o afastamento por acidente, os depósitos de FGTS continuam;
- se houver culpa da empresa, é possível pedir indenização por danos materiais, morais e estéticos.
O que caracteriza assédio moral no trabalho?
Assédio moral é a exposição repetida do trabalhador a humilhações, ameaças, isolamento ou cobranças abusivas, que atingem sua dignidade.
Um fato isolado, em regra, não basta: o que caracteriza o assédio é a repetição. Ele pode gerar indenização por dano moral e, nos casos graves, permitir a rescisão indireta (quando o empregado encerra o contrato por falta grave do empregador e recebe as verbas como se fosse demitido sem justa causa). Mensagens, e-mails e testemunhas são as provas mais comuns. O assédio sexual, além das consequências trabalhistas, é crime. Veja também indenizações.
Como funciona o acordo e o processo na Justiça do Trabalho?
Empregado e empregador podem resolver o conflito por acordo, antes ou durante o processo. O acordo feito fora da Justiça pode ser levado ao juiz para homologação, com advogados diferentes para cada parte.
Na ação trabalhista, o juiz sempre tenta a conciliação na audiência. Sem acordo, as partes apresentam provas e o juiz decide. Também existe o acordo negociado antes de qualquer processo, que costuma reduzir tempo e desgaste. Em Santo Ângelo, as ações tramitam na Vara do Trabalho da cidade, ligada ao TRT da 4ª Região.
Direito do Trabalho em Santo Ângelo e região
O escritório fica na Av. Brasil, 260, sala 02, no Centro de Santo Ângelo, e atende trabalhadores e empregadores da cidade e de Entre-Ijuís, Vitória das Missões, Catuípe, Giruá, São Miguel das Missões e outras cidades da Região das Missões. As ações trabalhistas da região tramitam na Vara do Trabalho de Santo Ângelo, que integra o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS).
Como o escritório pode ajudar?
O escritório orienta trabalhadores e empregadores: confere rescisões e cálculos, analisa documentos e provas, conduz negociações e acordos e acompanha o processo na Justiça do Trabalho, explicando cada etapa. Para empresas, também orienta sobre contratos, registros e rotinas que reduzem riscos.
Agendar consultaPerguntas frequentes
Preciso de advogado para entrar na Justiça do Trabalho?
Na Vara do Trabalho, a lei permite que a própria parte apresente o pedido. Ainda assim, o processo envolve cálculos, provas e prazos técnicos, e a orientação jurídica ajuda a evitar perdas. No acordo extrajudicial, o advogado é obrigatório.
Quem pede demissão perde o FGTS?
Não perde: o dinheiro continua na conta do trabalhador. Ele só não pode sacar naquele momento nem recebe a multa de 40%. O saldo poderá ser sacado nas outras hipóteses previstas em lei.
Quais motivos permitem a demissão por justa causa?
Os motivos estão na CLT, como desídia (descuido repetido nas tarefas), embriaguez em serviço, abandono de emprego, ato de improbidade e insubordinação. A empresa precisa conseguir provar o motivo, e a punição deve ser proporcional e imediata.
Gestante pode ser demitida?
Sem justa causa, não. A empregada gestante tem estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, mesmo que o empregador não soubesse da gravidez.
O trabalhador rural tem os mesmos direitos?
Sim. A Constituição assegura os mesmos direitos a trabalhadores urbanos e rurais, com algumas regras próprias na lei do trabalho rural, como o horário noturno.
Como o empregador pode se prevenir de ações trabalhistas?
Com registro correto do empregado, controle de jornada, recibos assinados, pagamento das verbas no prazo e contratos claros. Orientação antes de demitir ou mudar condições de trabalho também evita conflitos.
Posso ser demitido enquanto recebo auxílio-doença?
Durante o afastamento com benefício do INSS, o contrato fica suspenso e, em regra, a dispensa sem justa causa não produz efeitos até o retorno. Depois de um afastamento por acidente de trabalho, ainda há a estabilidade de 12 meses.
Quanto tempo demora uma ação trabalhista?
Depende da complexidade, das provas e de eventuais recursos. Muitos processos terminam em acordo já na primeira audiência; outros levam mais tempo até a decisão final.
Fontes oficiais consultadas (6)
- Constituição Federal de 1988 (abre em nova aba)
- Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei nº 5.452/1943) (abre em nova aba)
- Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) (abre em nova aba)
- Lei nº 8.036/1990 (FGTS) (abre em nova aba)
- Lei nº 12.506/2011 (aviso prévio proporcional) (abre em nova aba)
- Lei nº 7.998/1990 (seguro-desemprego) (abre em nova aba)